Artista nascida em Brasília, Adriana Vignoli desenvolve uma pesquisa que articula escultura, instalação e desenho a partir de uma investigação sobre tempo, matéria e transformação. Sua produção parte de materiais elementares como terra, pedra, vidro e resíduos, reorganizados em composições que tensionam relações entre o arcaico e o contemporâneo.
Seu trabalho opera como um campo experimental em que processos de escavação, coleta, lapidação e transmutação ativam novas camadas de sentido. Ao deslocar elementos do cotidiano e reinseri-los em contextos construídos, a artista propõe uma leitura sensível sobre o tempo, entendido não como linearidade, mas como acúmulo, suspensão e dissolução.
Há, em sua prática, uma dimensão arqueológica que se manifesta tanto na escolha dos materiais quanto nos procedimentos. Fragmentos, resíduos e elementos aparentemente ordinários são tratados como vestígios, capazes de revelar narrativas latentes e provocar fissuras no presente. Nesse processo, a obra se constrói como um espaço de indeterminação, onde forma e significado permanecem em constante deslocamento.
A presença recorrente de dispositivos que remetem a laboratórios, como vidrarias e estruturas de contenção, aproxima sua produção de uma lógica experimental, em que a transformação da matéria assume caráter simbólico. Processos como dissolução, desgaste e recomposição apontam para uma dimensão alquímica, na qual a mudança material se apresenta como metáfora de transformação contínua.
Entre rigor construtivo e experiência sensível, sua obra estabelece um campo de tensão que articula desenho, gesto e estrutura. Ao mesmo tempo em que evidencia precisão formal, abre espaço para o inacabado, para a dúvida e para a imaginação, sustentando uma investigação que se orienta pela possibilidade de outros modos de perceber e habitar o mundo.
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