Lando

Artista

Orlando da Rosa Farya, conhecido como Lando, nasceu em Vitória, em 1957. Sua produção transita entre pintura, fotografia e vídeo, consolidando uma prática que tensiona os limites entre imagem, representação e construção artística.

 

Iniciou sua trajetória na pintura, ainda na década de 1970, com uma produção marcada por um olhar crítico sobre o próprio circuito artístico. A partir dos anos 1990, amplia seu campo de atuação e passa a incorporar a fotografia como eixo central de sua pesquisa, sem abandonar completamente outras linguagens.

 

Sua obra se estrutura a partir do deslocamento do olhar. Lando atua como um observador atento do cotidiano, captando cenas aparentemente banais em espaços urbanos, museus e ambientes internos. A partir desses registros, constrói imagens que não se limitam à documentação, mas instauram situações de estranhamento e ambiguidade, nas quais realidade e construção se sobrepõem.

 

Um dos aspectos mais recorrentes de sua prática é a apropriação de imagens no interior de museus e instituições culturais. Ao registrar obras e, simultaneamente, o comportamento do público diante delas, o artista desloca o foco da obra para a experiência, revelando camadas de percepção, indiferença e relação entre espectador e arte.

 

Essas imagens são posteriormente ampliadas e reorganizadas, muitas vezes em escala monumental, aproximando-se do campo da pintura e instaurando uma tensão entre original e reprodução. Ao inserir elementos externos nas imagens captadas, como fragmentos do corpo de visitantes, Lando cria composições que confundem leitura e referência, operando entre fotografia, montagem e intervenção.

 

Sua produção dialoga diretamente com a ideia de que a fotografia não representa o real, mas o constrói. Nesse sentido, sua prática se alinha a uma abordagem contemporânea em que o gesto artístico reside na escolha, no enquadramento e no deslocamento de sentidos, mais do que na criação ex nihilo da imagem.

 

Com exposições no Brasil e no exterior, incluindo mostras em cidades como Berlim, Paris, Lisboa e Santiago, Lando desenvolve uma trajetória marcada pelo trânsito entre territórios e pela observação sensível das dinâmicas culturais e urbanas.

 

Sua obra propõe ao espectador uma revisão crítica do olhar, colocando em questão a aparente neutralidade das imagens e evidenciando a fotografia como um campo de construção, escolha e interpretação.